Brasileiro preso na Venezuela sofreu abusos e terror psicológico e nem isso comoveu boa parte da mídia brasileira

0
1310

O brasileiro Jonatan Moisés Diniz afirmou nesta terça (9) que sofreu terror psicológico durante o período em que ficou preso na Venezuela e deu mais detalhes sobre sua detenção. As informações são da Sputnik Brasil.

Jonatan, de 31 anos, foi detido enquanto estava na praia com amigos por um policial que o ameaçou com uma arma. Imediatamente foi levado para um prédio do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), na região metropolitana de Caracas.

“Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto 1 como 1000 dias, que ninguém havia me procurado e que ninguém nem sequer sabia de minha prisão”, escreveu o brasileiro em seu Facebook.

Ele não foi torturado fisicamente e nem estuprado. Mesmo assim, comentou que a cela em que ficou com outros 8 venezuelanos estava em estado precário. Diniz conta não ter recebido nenhum alimento das autoridades e que conseguiu comer apenas por doações de seus colegas de cárcere.

“Diosdado Cabello, braço direito de Nicolás Maduro, fez um pronunciamento em rede nacional […] acusando-me de terrorista e de ligações com grupos com grupos criminosos, de verdade, essas pessoas estão com tanto medo de perder o poder que já estão alucinando”, disse Diniz.

Como lembra o Globo, “Jonatan realizava trabalhos filantrópicos na Venezuela quando foi preso sob acusação de promover atividades contra o governo chavista. O brasileiro nega que os seus trabalhos no país tivessem ambições políticas, embora tenha se indignado com a repressão das forças de segurança durante os vários meses de manifestações do ano passado. Mais cedo, em publicação do Facebook, ele também denunciou atitudes abusivas dos agentes do Sebin”.

“Me fizeram ficar nu não sei quantas vezes e (nem) com quantos celulares tiraram fotos minhas. Inclusive, me mandaram ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei”, contou. “O chefe-geral do lugar falou para todos os detentos que eu tinha ligação com Óscar Pérez e o grupo da Resistência da Venezuela (mais uma falsa acusação) para incentivar os presidiários a me odiar, já que os mesmos são contra atos de Óscar Pérez”.

Retornando à matéria da Sputnik Brasil, “o brasileiro contou ter sido impedido de receber visitas ou fazer qualquer tipo de ligação durante os 11 em que ficou detido”. O Itamaraty – pressionado pelas redes sociais – foi atrás de seu paradeiro. Dias depois, o governo brasileiro lembrou que a Venezuela escondeu informações sobre o paradeiro de Jonatan e de seu estado físico.

Em suma, isto é muito mais do que um “incidente” diplomático. Foi um ato anticivilizacional praticado pela ditadura venezuelana, o que deveria gerar muito mais indignação do que gerou. Boa parte da mídia não ajudou nem um pouco, pois deu muito menos atenção ao caso de Jonatan do que fez em relação ao brasileiro Rodrigo Gularte, que foi preso na Indonésia por tráfico de drogas (e condenado à morte em 2015).

O detalhe é que Rodrigo teve um julgamento e sua punição estava de acordo com as leis do Indonésia. Já a Venezuela não respeita nenhuma das leis da sociedade civil ou da sociedade aberta.

Jonatan poderia ter até morrido se não fosse a pressão das redes sociais. E enquanto isso a extrema esquerda demonstrou silêncio ensurdecedor. Vergonhoso.