Jornal O Globo tenta armar arapuca para MBL e Ceticismo Político, mas cai do cavalo

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Como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada.

Se a reputação do Jornal O Globo tem sido contestada pelo excesso de notícias falsas publicadas, eles agora resolveram fazer o mesmo papelão já feito pelo El País e usar o recurso da falsa acusação de notícia falsa. Já refutamos este truque por aqui.

O truque é o seguinte: fingir que uma publicação verdadeira de um órgão que eles reputam como adversário é falsa e lançar uma mentira: a de que a publicação verdadeira do outro é que é falsa. Isso é o mesmo que lançar uma acusação de mentira sobre um oponente para esconder a própria mentira. Em resumo, ao mentir dizendo que um oponente publicou uma falsidade (enquanto não publicou) e ao mesmo tempo lançar uma mentira, o manipulador executa assim uma falsa acusação de notícia falsa.

Seja lá como for, um jornalista (que por enquanto chamaremos aqui de Gabriel C.) resolveu enviar um e-mail com tons de intimidação e especulação para o MBL em estilo de triangulação (questionando sobre este site, Ceticismo Político).

O post alvo da falsa acusação de notícia falsa

Antes de desmascararmos jornalista Gabriel C. (que se apresentou como integrante de O Globo) vamos falar do post ao qual ele se refere, publicado em 16 de março:

O post de fato viralizou, mas no fundo não passa de uma citação a um post de Mônica Bergamo, para a Folha, que dizia: “Desembargadora diz que Marielle estava engajada com bandidos e é ‘cadáver comum'”.

No post do Ceticismo Político (que pode ser lido aqui) não há praticamente nada além do que já está no post de Mônica Bergamo.

Aliás, no post do Ceticismo Político há um detalhe adicional: consideramos que as afirmações da desembargadora haviam sido uma ironia. De resto, é basicamente a notícia de que uma desembargadora fez determinadas afirmações.

Outro ponto adicional do post do Ceticismo Político que incomodou muita gente foi o uso do termo “quebra de narrativa” no título.

Mas o jornalista Gabriel C. não pode fingir incômodo, uma vez que uma narrativa é apenas uma “ação, processo ou efeito de narrar”. Outra definição para narrativa é “exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou de imagens”.

Ou seja, uma narrativa não é o mesmo que um fato ou uma prova jurídica.

O que o texto do Ceticismo Político deixou subentendido (e com razão) é que havia narrativa completamente fantasiosa adotada por membros do PSOL e seus adeptos de que Marielle havia sido vítima de “crime político”. Para que essa narrativa fosse adotada como fato, ela não poderia ser contestada e todos deveriam acreditar na alegação (sem provas) de que o crime teve motivação política. Subnarrativas dizendo que “a culpa é da PM” ou “a culpa é da intervenção” foram multiplicadas nos dois dias após a morte de Marielle.

A desembargadora Marília quebrou essa narrativa ao dizer que Marielle era “cadáver comum”. Infelizmente, Marília apelou ao mesmo recurso de vários integrantes do PSOL: usar afirmações para as quais não tinha provas. Por isso, Marília está sendo covardemente perseguida até hoje, de forma desproporcional e cruel, quando no máximo poderia ser refutada.

Mas o que importava para o Ceticismo Político era a quebra de narrativa. Enquanto a desembargadora Marília já não fede nem cheira como refutação ao PSOL, isso motivou muita gente a buscar inconsistências na narrativa do partido. É por isso que a narrativa padrão de que “Marielle foi vítima de crime político” já está quebrada, mesmo que Marília não tenha provado suas subnarrativas.

É como dissemos em 19 de março:

Outro post do Ceticismo Político já apresentava elementos que “bugam” a narrativa do PSOL:

Aliás, os bugs na narrativa de militantes do PSOL estão vindo de todos os lados, até mesmo da presidência do partido. Juliano Medeiros, presidente do PSOL, questiona sobre as hipóteses para o assassinato de Marielle. Mas se ele abre hipóteses, então quebra a narrativa daqueles que disseram que “é culpa da PM”. Detalhe: mesmo que milicianos possam ter cometido o crime, isso não significa que tenha sido um crime político.

Mas a coisa complica ainda mais, pois a irmã da vereadora Marielle, Anielle Silva, disse que não vê motivação política no assassinato da irmã. Leia, a partir da Veja, as declarações de Anielle: “Nossa família urge por Justiça. Que as autoridades competentes consigam descobrir o porquê disso, por que calarem minha irmã. Por quê? (…) Quero entender por que fizeram isso com ela. Pelas causas que ela defendia? Acho que não, porque, se fosse assim, muita gente era para estar morta hoje em dia”.

Como se nota, a narrativa padrão do PSOL está quebrada. Isto é um fato. Isso pode incomodar os jornalistas militantes, que tentam capitalizar sobre a morte de Marielle em favor de uma narrativa contra a intervenção federal no Rio, mas não está funcionando.

O e-mail de Gabriel C. tentando intimidar o MBL e o Ceticismo Político

Abaixo está o e-mail de Gabriel C. enviado a integrantes do MBL, que o compartilharam com este site:

É bom que o e-mail acima fique explícito para notar o tipo de “abordagem ética” utilizada pelo jornalista Gabriel C.

Gabriel C. começa com uma ameaça velada de que está sendo feito um estudo sobre “notícias falsas”. Provavelmente ele parta de um truque utilizado pela extrema esquerda de acusar o MBL e os sites ali compartilhados de publicar notícias falsas.

A má notícia para Gabriel C. é que o site boatos.org já desmascarou a notícia falsa que diz que “MBL é o maior difusor de notícia falsas, diz pesquisa da USP # boato”. Nunca existiu essa tal pesquisa da USP e sites como Ceticismo Político e JornaLivre jamais foram indexados por alguma entidade séria por publicarem notícias falsas. E tem mais: o site Ceticismo Político é constituído de notícias comentadas, portanto é um site de opinião, que jamais poderia ser confundido com um site de notícias. Ou seja, a mentira da extrema esquerda vem ao quadrado.

Vamos tratar em especifico a mentira com a qual Gabriel C. inicia seu email:

Bem, a principal informação falsa aqui foi feita por Gabriel C. ao elencar o post já comentado como “notícia falsa” quando na verdade era apenas a citação a uma matéria de Mônica Bergamo que não foi contestada. A desembargadora realmente fez as declarações que dissemos que ela fez. E de fato a narrativa do PSOL foi quebrada. Claro que foi quebrada com outra narrativa tão ficcional quanto aquelas feitas pelo partido.

De novo: todo jornalista que tenha feito faculdade de jornalismo sabe o significado do termo “narrativa”. Então não vai adiantar o sr. Gabriel C. fingir que “quebra de narrativa” significava “comprovação de acusações” que não vai colar.

Se já está claro que o jornalista começa sua tática de intimidação com uma mentira, vamos às perguntas marotas feitas por ele, que serão respondidas não pelo MBL, mas diretamente por este site:

Seguem respostas para cada pergunta:

Por que o post foi republicado de forma idêntica?

É que provavelmente seria desonesto adulterar um post de terceiros para publicar. Que raio de pergunta é essa?

Por que o post foi apagado?

Por essa eu passo, e isso é com a equipe do MBL. Mas provavelmente o apagaram para evitar patrulhamento. Mas obviamente não há nada de errado no post.

O usuário Luciano Ayan é administrado por algum integrante do MBL?

Aqui o jornalista fez uma bagunça danada. Existe o perfil Luciano Henrique Ayan, para o qual foi criada há tempos a página de Facebook Luciano Ayan. A página de Facebook Luciano Ayan publica conteúdo do site Ceticismo Político, que é administrado por uma equipe, entre os quais se inclui o próprio Ayan (que já não administra o site desde meados de 2017).

De qualquer forma, o “usuário Luciano Ayan” não é administrado por algum integrante do MBL.

O site Ceticismo Político é alimentado por algum integrante do MBL?

Não.

Integrantes do MBL retuítam e republicam no Facebook o usuário @LucianoAyan com frequência. Qual a relação entre MBL e Luciano Ayan?

Outra falha de narrativa grave aqui. O que é retuitado e republicado é o conteúdo do site Ceticismo Político, que é primariamente publicado na página de Facebook Luciano Ayan, mas também em outras páginas. A relação entre MBL e Luciano Ayan é extremamente positiva, principalmente desde novembro de 2014. Ademais, os integrantes de ambos os sites compartilham vários interesses em defesa do liberalismo e na luta contra o totalitarismo.

Enfim, essas foram as perguntas. Cada uma pior do que a outra, e nenhuma delas focada no principal. Por exemplo, ele poderia questionar sobre o conteúdo da matéria que está reclamando. Por que não faz isso? Será medo de saber antecipadamente que pode estar publicando uma notícia falsa?

Agora a coisa é pior: qualquer coisa que o jornalista Gabriel C. publicar será precedida pelo aviso antecipado de que estará provavelmente publicando informação falsa. Logo, ele não poderá alegar “estar enganado”. Ele terá o “domínio do fato”.

Neste texto aqui (que responde o email de Gabriel C.), ele sabe:

  • Que o texto do Ceticismo Político pura e unicamente comentou conteúdo de Mônica Bergamo, sem julgar como factuais as afirmações da desembargadora Marília;
  • Que as acusações da extrema esquerda sobre “notícias falsas” deste site são resultantes de notícia falsa (como expusemos aqui, ao citar o site www.boatos.org);
  • Que a agenda de intimidação feita pelo PSOL não está colando;
  • Que os bugs de narrativa do PSOL (para tentar vender a morte de Marielle como “crime político”, quando ainda não existem provas sobre isso) estão por todos os lados;
  • Que ele está prestes a publicar uma notícia falsa (sendo avisado antecipadamente disso, o que é a maior das vergonhas possíveis para um repórter).

E falando em notícia falsa, vale a pena citar o link “Fake News: relembre 5 vezes que a Globo disseminou notícias falsas; a direita é o alvo preferido”, do site O Diário Nacional.

Lemos ali sobre quando o colunista Lauro Jardim lançou a notícia falsa de que Temer teria autorizado Joesley a pagar propina para calar Eduardo Cunha. Mas no dia seguinte, se viu que não passava de manchete sensacionalista. O mesmo colunista disse que Bolsonaro propôs “metralhar a Rocinha”, mas até agora não apresentou um áudio sequer para comprovar a afirmação. Em relação a Ricardo Noblat (que tem blog no Globo), é bom relembrar que ele disse que Temer renunciaria em maio de 2017. Ele está no cargo até hoje. No Fantástico, publicaram um tuíte de uma usuária @Amanda. Pena que foi uma mensagem forjada, já que a própria Amanda Rose (canadense) se pronunciou dizendo que jamais escreveu aquilo.

E tem mais, muito mais…

Será que veremos o Jornal O Globo apelar até a falsa acusação de notícia falsa?

Em tempo: o jornalista disse que estaria aguardando até as 21 horas de 22/03 pelas respostas do MBL. A partir do e-mail dele encaminhado a este site pelo próprio MBL, ele conseguiu as respostas às 20:30 de 22/03.

Complicou a estratégia, não é, espertão?