Mauro Iasi, que já falou em “meter bala em conservadores”, diz que é “hora de chutar o tabuleiro”

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No blog da Boitempo, o comunista Mauro Iasi fez o que era esperado: defendeu Lula. Para ele segue o mesmo script dos petistas assumidos, ou seja, a velha conversa de que “não há provas” contra Lula e de que sua condenação é injusta.

Até aí não há nada demais. O roteiro já é saturado por toda a extrema-esquerda. O que conta mesmo é o título e o teor de seu artigo. Intitulado “E agora? É hora de chutar o tabuleiro”, Iasi incita a violência de forma muito clara. Vou citar um parágrafo:

O que a burguesia talvez tenha feito, inadvertidamente ou não, é dar o pretexto para que as massas entrem em cena numa dimensão que pode ir além da institucionalidade dada. Entretanto, neste ponto intervém a intencionalidade política dos sujeitos. Marx disse certa vez que não se deve brincar com a insurreição se não quiser levá-la até as últimas consequências. Ao que parece o lulopetismo espera que as massas garantam que Lula não seja preso e dispute as eleições, mas que depois saiam de cena para que tudo volte aos trilhos da normalidade para que se possa remendar o pacto social esgarçado pelo golpe. De certa maneira a rebelião das massas se converte em um instrumento de chantagem ou ameaça para que os segmentos burgueses caiam em si e aceitem renegociar os termos do pacto.

Não é a primeira vez que Iasi usa palavras escolhidas a dedo e muito bem disfarçadas para incitar a violência contra opositores. Há alguns anos, em uma palestra, ele disse o seguinte:

De fato a direita não tem levado a sério a ameaça violenta da esquerda. Ainda que muito desse jogo seja puro blefe, a verdade é que há a intenção. Cedo ou tarde, se tiverem a chance ou se o desespero for maior do que a prudência, a situação pode realmente escalar para algo sangrento em questão de dias ou até horas. Se Lula for preso – e provavelmente será – isso pode ser usado como estopim.

É preciso entender que há setores dentro da extrema-esquerda, em especial os grupos minoritários e o próprio PT, que possuem muito interesse em uma situação de violência política. Os discursos de Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann deixam isso claro. Embora tenham receio de agir de modo que percam o controle da situação, como ocorreu em 2013, eles poderão fazer acontecer se julgarem que isso é necessário para atrasar a evolução do país no sentido contrário aos seus interesses.