Narrativa padrão do PSOL sobre morte de Marielle já está em cacos e agora vamos ao que importa: as investigações policiais

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Como este site avisou dias atrás, a narrativa padrão adotada pelo PSOL havia sido quebrada. Não foi da melhor forma possível e o procedimento condenável chegou a incorporar os mesmos recursos adotados pelo PSOL. Mesmo assim, a narrativa do PSOL ficou em cacos.

Antes de tudo, é preciso entender o que significa uma “narrativa”. Uma narrativa não é um argumento e nem uma tese científica. Uma narrativa não depende de provas. Uma narrativa basicamente depende de ser verbalizada.

Como resultado da amplificação do poder das redes sociais, hoje vivemos uma guerra de narrativas, onde histórias são contadas por cada um dos lados políticos e as provas são deixadas em segundo plano.

A consequência deste procedimento é que uma narrativa tende a ser combatida por uma outra narrativa – em uma época de guerra de narrativas – e pouco espaço é dedicado à busca de provas.

Mas há um resultado desta guerra de narrativas. Ele deriva do momento em que duas narrativas contraditórias são colocadas em confronto. A partir daí, surge a pressão por provas, que devem ficar acima das narrativas.

Uma vez tendo isso ficado claro, a conclusão é de que a narrativa padrão do PSOL sucumbiu, por vários fatores.

A partir do momento em que saiu a notícia da morte de Marielle, a extrema esquerda decidiu criar a narrativa de que havia sido “um crime político”. Em complemento, fizeram a narrativa de que “foi a PM”. Alguns propagaram a variação da narrativa dizendo que “foi a intervenção”.

O resultado deste tipo de construção ficcional era evitar que as pessoas questionassem as hipóteses para o assassinato de Marielle. Enquanto isso, vários bugs narrativos começaram a aparecer por todos os lados.

Por exemplo, visualizamos o fato de que só no início de 2018, ocorreram 17 assassinatos de vereadores, sem o mesmo tipo de comoção, o que começou a mostrar a artificialidade da cobertura midiática.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, fez questionamentos a respeito das hipóteses para o assassinato de Marielle. Mas se ele fala das hipóteses, então não tem certeza de que “foi a PM”, como alguns de seus colegas de militância afirmaram.

No fim de semana, uma desembargadora, Marília Castro Neves, também trouxe um elemento de quebra de narrativa ao afirmar que Marielle era “um cadáver comum”. Lamentavelmente, assim como os membros do PSOL, Marília apresentou afirmações que não pode provar, como afirmar que Marielle “estava engajada com bandidos”.

Marília recuou de suas afirmações, proferidas na rede social, mas a hipótese ficou aberta: existiria hipótese adicional para a morte de Marielle além da narrativa de membros do PSOL de que “foi a PM”?

A resposta é: não sabemos.

Mas de uma coisa podemos ter certeza: fica difícil para o PSOL manter a narrativa de que a culpa da morte de Marielle certamente está nas costas da PM ou “da intervenção”. Cai também a narrativa de que ela foi vítima de crime político. A narrativa cai simplesmente porque existem hipóteses em aberto.

Claro que toda narrativa pode voltar à tona se os fatos a comprovarem, mas é claro que no momento não há elementos para acreditar em nenhuma das narrativas que definem com certeza os culpados pelo crime.

Para aqueles que se opõem ao PSOL e adotaram (erradamente) alguma acusações falsas – como saírem dizendo que Marielle havia sido casada com Marcinho VP, o que jamais foi provado -, a melhor dica é: parem com isso.

Para desmascarar o PSOL basta expor as contradições do partido em seu histórico de políticas monstruosas sobre a violência e demonstrar que não dá para acreditar em praticamente nada do que militantes do partido tem dito para dizer que Marielle foi vítima de “crime político” ou que “a culpa é da PM”.

A partir de agora, só temos motivos para acreditar no resultados das investigações, pois palavras ditas para capitalizar politicamente sobre a morte de Marielle merecem ser tratadas com total ceticismo.

A narrativa padrão do PSOL sobre “crime político” não terá nenhuma serventia enquanto eles não trouxerem provas.