O “jornalismo de qualidade” do Brasil levou 12 anos para reconhecer que Venezuela é uma ditadura

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Uma matéria do site Políticas.Info, de Marlos Ápyus, faz uma observação relevantíssima: “o jornalismo de qualidade’ levou ao menos 12 anos para reconhecer que a Venezuela é uma ditadura”. Isso talvez explique porque a mídia está ignorando o caso do brasileiro Jonatan Diniz, preso pelo ditador Maduro na Venezuela.
Ápuys lembra que em 29m 29 de setembro de 2005 na Folha de S.Paulo, a manchete simplesmente ecoava a ideia defendida por Lula: “Lula diz que Venezuela tem democracia ’em excesso’“. Nos seis parágrafos da matéria, não havia contestação e nem espaço para o “outro lado”.

Ápyus lembra que “quase doze anos se passaram. Na verdade, exatos 4.328 dias. A Folha de S.Paulo apareceu falando de si na terceira pessoa: “Folha passa a tratar Venezuela como ditadura‘”.

A Folha justificou a escolha citando o Manual de Redação: “De acordo com o Manual da Redação, o termo se aplica à ‘dominação de uma sociedade por meio de um governo autoritário exercido por uma pessoa ou um grupo, com repressão e supressão ou restrição de liberdades individuais‘.”

A conclusão de Ápyus é certeira: “Um dos jornais mais importante do Brasil precisou de uma dúzia de anos para perceber aquilo que já parecia claro aos críticos de Hugo Chávez ainda em 2005. Um jornalismo realmente de qualidade não teria antevisto o movimento e alertado a opinião pública? Ou ele precisaria aguardar uma nação inteira ser destruída para reconhecer o mal que faziam a ela?”.