TSE dá desculpa furada de “custo” ao dizer que só quer botar voto impresso em 5% das urnas

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A determinação para que na eleição de 2018 os votos eletrônicos sejam impressos será cumprida em no máximo 5% das cerca de 600 mil urnas do País. Essa é a informação do Estadão.

O voto impresso foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2015 na minirreforma política, após questionamentos sobre o resultado da eleição presidencial de 2014. O TSE, porém, criou uma narrativa dizendo que não possui recursos orçamentários para implementar a medida de uma só vez.

O Estadão diz: “Inicialmente, estava prevista a compra de 35 mil novas urnas. Mas, após estudos, o tribunal chegou à conclusão que seria mais viável, tecnicamente e financeiramente, adquirir apenas as impressoras, e reduziu a previsão para 20 a 30 mil equipamentos que serão acoplados às urnas já existentes. O órgão deve lançar o edital da compra das impressoras em janeiro”.

O custo para os cofres públicos foi estimado em R$ 2,5 bilhões num período de dez anos, segundo o TSE.

Uma pesquisa da Ipsos Public Affairs mostra que seis em cada dez brasileiros não confiam em urnas eletrônicas e apenas três em cada dez confiam no sistema eleitoral brasileiro.

O jurista Modesto Carvalhosa e o presidente da União Nacional dos Juízes Federais (Unajuf), Eduardo Cubas, protocolaram no fim de outubro, um requerimento junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que a presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, diga se há previsão no Orçamento para a implementação do novo modelo no ano que vem. Caso se confirme que não há recursos, o grupo diz que tomará medidas judiciais para que conste na Lei Orçamentária de 2018.

O requerimento foi enviado na última terça-feira, 28, para o TSE, que deve responder se há ou não recursos.

O fato é que, independentemente de terem ocorrido ou não as fraudes, contar com um sistema que gera desconfiança em 60% da população é um atentado contra a democracia.

Ademais, dá para conseguir esses 2,5 bilhões facilmente. Depois da aprovação do fundão público de campanha – de R$ 1,7 bilhões – não há mais verossimilhança para o argumento de “falta de recursos”. Se existe essa grava para o fundão público, deve existir mais ainda para garantir um sistema eleitoral que tenha a confiança do povo.